frankenstoria
ago 5

Parte 01

 

O asfalto era antigo, mas apesar da idade não apresentava rachaduras. Era um ponto da cidade onde não passavam veículos de grande porte. Também não sofria um castigo severo do clima, algo incomum naquela região em que chovia bastante. Com exceção da cor que denunciava sua idade, aquele poderia ser considerado um terreno virgem.

 

E foi neste asfalto que surgiu um ponto de fogo que parecia não ser afetado pelo vento, que soprava com média intensidade naquele momento. Uma chama de poucos centímetros de altura era contida por uma espécie de tubo invisível, de cor escura, avermelhada. Em poucos segundos outra chama apareceu, depois outra, outra e mais outra. Cinco chamas perfeitamente iguais, como se fossem reflexos de um espelho.

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ago 3

Os ordinários

 

Tio da Sukita, 45

Sabe aquele tipo de gente que simplesmente não consegue cagar na casa dos outros? Comigo é ao contrário: já que vou cagar, que seja na casa dos outros! Desde criancinha. Minha mãe sempre dizia, não se caga onde se come…

 

Deve ser por isso que trepar pra mim é a mesma coisa: quanto mais alheia a mulher, melhor. Sou pós-pílula e pré-AIDS, todo mundo trepava com todo mundo, coleciono um bocado de anéis aqui comigo – anéis dos casamentos que traí e outros anéis que tracei, jóias que para os maridos eram sempre “não, por trás não!”. E outra, por que diabos a minha mulher sabe disso e faz vista grossa, ainda fica comigo? Será que o Nelsinho Rodrigues tava tão certo assim, toda mulher gosta mesmo é de apanhar é?

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jul 5

CAPÍTULO 04

por Douglas Miguel

O telefone chama por duas vezes.

A mesma doce voz de sono, de quem dorme cedo porque tem faculdade no outro dia e nunca estica uma noitada.

 

- Alô… Gustavo… o quê? Porque tá me ligando essa hora?

- Oi Lara… como vai? Desculpe te ligar essa hora… quanto tempo né… como você tá… sabe o que é… – gagueja, ela sente sem nenhuma dificuldade que ele está bêbado – …eu não consigo parar de pensar… eu, tô com saudade Lara… eu…

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jun 18

CAPÍTULO 02

por Felipe Oliveira (Grilo)

Raul corre vestido com aquele terno que Jussara, sua esposa, sempre lhe dizia: “vai usar uma vez na vida, outra na morte”. Chique e descolado, o cadáver tenta manter a finura enquanto desembesta ladeira abaixo.

 

As pessoas costumam ver um filme à hora da morte, mas Raul só poderia começar pelos créditos. Será que agora sua arte valeria milhões? Será que se tornaria o único imortal realmente “imortal” da Academia Brasileira de Letras?

 

Não é sem antes exclamar um “CHUPA, PAULO COELHO!” que interrompe suas idéias por um súbito desconforto ao “respirar”.

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jun 1

CAPÍTULO 01

por Marcelo Paradella

Sururu e Saracotico na Célebre Cerimônia

 

- Coitado, tão moço…

 

- Na flor da idade, veja você.

 

- A Jussara, coitadinha, não agüentou. Ficou em casa em estado de choque…

 

- Por que, meu Deus? Justo o Raul?

 

- Um rapaz tão bom…

 

- Olha só, Maria, ele parece tão em paz.

 

- Tá sorrindo, o menino…

 

- Maria, olhando agora, não parece que o nariz dele se mexeu?

 

- Impressão sua, Emengarda.

 

- Sério, Maria! Parecia até que ele ia…

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