frankenstoria
jun 18

CAPÍTULO 02

por Felipe Oliveira (Grilo)

Raul corre vestido com aquele terno que Jussara, sua esposa, sempre lhe dizia: “vai usar uma vez na vida, outra na morte”. Chique e descolado, o cadáver tenta manter a finura enquanto desembesta ladeira abaixo.

 

As pessoas costumam ver um filme à hora da morte, mas Raul só poderia começar pelos créditos. Será que agora sua arte valeria milhões? Será que se tornaria o único imortal realmente “imortal” da Academia Brasileira de Letras?

 

Não é sem antes exclamar um “CHUPA, PAULO COELHO!” que interrompe suas idéias por um súbito desconforto ao “respirar”.

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jun 1

CAPÍTULO 01

por Marcelo Paradella

Sururu e Saracotico na Célebre Cerimônia

 

- Coitado, tão moço…

 

- Na flor da idade, veja você.

 

- A Jussara, coitadinha, não agüentou. Ficou em casa em estado de choque…

 

- Por que, meu Deus? Justo o Raul?

 

- Um rapaz tão bom…

 

- Olha só, Maria, ele parece tão em paz.

 

- Tá sorrindo, o menino…

 

- Maria, olhando agora, não parece que o nariz dele se mexeu?

 

- Impressão sua, Emengarda.

 

- Sério, Maria! Parecia até que ele ia…

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mai 26

CAPÍTULO 01

por Roberta Simoni

 

Ele estava assistindo um filme de luta na tevê, sem nada melhor para fazer. Já era tarde e o sono começava a bater quando, de repente, seu celular tocou. Era ela… nem ele sabia, mas ainda tinha o número dela registrado na agenda do telefone, apesar de não receber nenhuma chamada sua há anos. Anos mesmo.

 

Ela arriscou ligar para o número dele, sem muitas expectativas. Imaginou que fosse uma das únicas pessoas que consegue manter o mesmo número durante tanto tempo. Por isso cedeu despreocupada ao seu impulso e ligou tarde da noite, acreditando que não daria em nada mesmo, mas com uma esperança tímida escondida no canto da alma.

 

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mai 26

Olá leitores, (vocês ainda estão por aí?)

Então, depois de meses sem nenhuma atividade por completo descuido deste que vos fala, o Frankenstoria está voltando pra ativa, iniciando suas atividades de 2010.
É um projeto que eu adoro, que acredito muito, e que não poderia deixar morrer…e hoje a Beta (Roberta Simoni, do Janela de Cima) me deu um puxão de orelha mais eficiente do que todos os outros que levei ao longo do ano.

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dez 16

CAPÍTULO FINAL

por Guilherme Tensol

Ele está vindo aqui.

 

Tic-tac, tic-tac… Estou sem chão, sem lugar, a merda do coração entalado na garganta – eu já não te chutei pra longe praga, porque ainda me incomoda? Some, desaparece, não preciso de coração agora não!

Tic-tac…

Matei uma barata na quina com o bico do scarpin (lembrei do colégio), troquei de roupa duas vezes, mudei o cinzeiro de lugar três – aliás, sei que parei mas um cigarro ia ser uma boa hein, esfreguei o chão de quatro pra ficar bem feito.

Sou ou não sou uma palhaça?
(de quatro por você, para você, como eu quero!)

…depois de tanto tempo! Tanta expectativa! Tantos joguinhos e tanto ódio e tanto tesão e tantas reviravoltas, tudo para isso, para agora! A proximidade do clímax por si só me inebria, meia taça de vinho e já tô leve como uma pluma – que delícia, vai me carregar no colo mais fácil, vai me segurar pela bunda, minhas coxas enroladas na cintura dele… AI! Pára ou vou gozar sozinha! Hahahahaha!…

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