frankenstoria
ago 16

E aí ela me fez chorar.

 

Não porque tenha feito algo de ruim ou sido sacana, não. Acho que ela nunca faria isso, ao menos não comigo.

Compartilhar almas, você sabe o que é? Porque casais compartilham vidas, irmãos também. Amigos? Em alguns momentos, sim. Mas, almas? Isso é raro. É coisa de sexto sentido. Pensar no outro e o outro aparecer. Saber exatamente o que ele ou ela está sentindo. Pressentimentos. Um caso de sintonia fina, mesma freqüência.

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jul 11

CAPÍTULO 02

por Douglas Miguel

O quarto do sobrado da rua Martins antes fúnebre agora tem noites e noites de vida, luz acesa madrugada adentro e o som da vitrola que não cessa.

 

Sr. Hilton sentado na sua poltrona, vestindo seu melhor terno, o charuto no canto esquerdo da boca. Embriagado pela doce voz, inebriado pelo perfume. Comprara todos os discos da Madame.

 

Como todo vício que se preze, surgiu a necessidade de doses cada vez maiores para satisfação completa. As noites se tornaram dias, as semanas, meses…

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jul 1

Parte 2

Bola sete na caçapa do canto

 

- Maiores ou menores?
Quente ou frio? Alto ou baixo? Direita ou esquerda? Abaixo ou acima? Dentro ou fora? Preto ou branco? Sapato ou chinelo? Casa ou apartamento? Praia ou campo? Ser ou não ser? De todas as questões possíveis, naquele instante, ele queria apenas a solução para uma pergunta que talvez pudesse decidir o destino daquela noite: Matar maiores ou menores em uma partida de sinuca.

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jun 18

Moça da praça, dos olhos morteiros, faróis verdes e curiosos, que olham tudo que alcançam. Aperta bem esses olhos quando quer mirar longe.
Tão fácil esses olhos virarem espelho! Escorre a lágrima na bochecha corada de blush. Moça só anda maquiada no rosto, mas o coração ela nem disfarça. Se não gosta afasta, se gosta, ”por favor, me abraça”.

 

Moça da praça, sorriso branco de dente bonito. Boca pequena e coração enorme! Tudo que pede moça ajuda, moça leva e traz. Moça gosta de despertar sensação boa em tudo que faz.

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jun 6

CAPÍTULO 03

por Tiago “Xorão” Resende

A meia luz do barzinho coloca em evidência as superfícies envernizadas das mesas de madeira, criando um padrão quase xadrez no local. A música a meio tom incentiva a conversa, que já dura mais de uma hora. Débora é extremamente agradável, pensa, e concluí que de forma alguma é um sacrifício estar ali. De fato, tudo é convidativo na ruiva sentada à sua frente. Ela exala sexo. Deve ser os feromônios, racionalizou, mas é o que realmente parecia ser. Mal conseguia se segurar dentro das calças com ela por perto. Quando se encontrava com ela, demorava apenas alguns minutos para que não parasse de pensar em despí-la e comê-la onde quer que estivesse. Mas não hoje. Hoje ela está agradável, extremamente agradável, mas só isso. Não sabia como a conversa havia chegado no presente assunto, mas se viu rindo da ironia.

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