frankenstoria
jul 11

CAPÍTULO 02

por Douglas Miguel

O quarto do sobrado da rua Martins antes fúnebre agora tem noites e noites de vida, luz acesa madrugada adentro e o som da vitrola que não cessa.

 

Sr. Hilton sentado na sua poltrona, vestindo seu melhor terno, o charuto no canto esquerdo da boca. Embriagado pela doce voz, inebriado pelo perfume. Comprara todos os discos da Madame.

 

Como todo vício que se preze, surgiu a necessidade de doses cada vez maiores para satisfação completa. As noites se tornaram dias, as semanas, meses…

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jun 6

CAPÍTULO 03

por Tiago “Xorão” Resende

A meia luz do barzinho coloca em evidência as superfícies envernizadas das mesas de madeira, criando um padrão quase xadrez no local. A música a meio tom incentiva a conversa, que já dura mais de uma hora. Débora é extremamente agradável, pensa, e concluí que de forma alguma é um sacrifício estar ali. De fato, tudo é convidativo na ruiva sentada à sua frente. Ela exala sexo. Deve ser os feromônios, racionalizou, mas é o que realmente parecia ser. Mal conseguia se segurar dentro das calças com ela por perto. Quando se encontrava com ela, demorava apenas alguns minutos para que não parasse de pensar em despí-la e comê-la onde quer que estivesse. Mas não hoje. Hoje ela está agradável, extremamente agradável, mas só isso. Não sabia como a conversa havia chegado no presente assunto, mas se viu rindo da ironia.

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jun 3

CAPÍTULO 01

por Léo Freitas

Um dia normal. Senhor Hilton entra no bar de sempre no mesmo horário. Abre a porta, percebe as vozes, os cheiros e sabe perfeitamente quem está lá. Com a mesma insatisfação de sempre ele respira mais forte e se senta no balcão. Traga calmamente sua bebida habitual.

 

Quando o velho conhaque desce pela garganta ele sente um cheiro que nunca sentira antes. Segue o perfume, ouve uma serena voz feminina a cantar uma melodia nova. Poderia ir até a dama para começar um diálogo, mas não o Senhor Hilton, como sempre muito tímido permanece sentado tomando seu velho conhaque.

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mai 12

CAPÍTULO 02

por Bruno Duarte

No táxi a caminho do local marcado novamente se tortura, pensa em quanto aquilo tudo pode ser uma tremenda perda de tempo. Poderia simplesmente ligar para ela, acabar logo com esse aperto no peito e peso na consciência. Mas não, pelo menos por enquanto o único alivio que sente é o da loção pós-barba vagabunda que comprou no mercado…

 

- Como? – perguntou o taxista.
- Não, nada, apenas pensando alto.
- Ah sim, é que me pareceu mais um suspiro que um pensamento. – o leve sotaque nordestino se manifesta.
- Pois é, a vida não é fácil não amigo.

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abr 9

CAPÍTULO 01

por Douglas Miguel e Guilherme Tensol

Faz a barba mas pensa em como odeia fazê-lo. É culpa dela, pedia com aquele jeitinho todo dia e ele acabou viciado no que odeia.

Conheceram-se há alguns anos, no cursinho, mas foi só quando se reencontraram naquela tarde fria num café do centro que se perceberam.
Trocaram olhares, do tipo “te conheço, mas tô envergonhado de perguntar”, ela quebrou o gelo, “Gustavo”?
Trocaram telefones, beijos e depois promessas.

Balança a cabeça, lava o rosto e coloca o barbeador de volta no lugar.

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