frankenstoria
jun 5

CAPÍTULO 06

por Roberta Simoni

E foi também sem pensar que Débora respondeu:

 

- Uma trepadinha! Era só isso que eu queria… nem que fosse uma daquelas bem ordinárias, ainda mais depois de tanta vodka… mas é claro que eu tô pedindo muito, né Gustavo?

 

- Débora, sério… você tem uma boceta no lugar do coração. Só pode!

 

- Qualquer um acharia isso divino, mas não um homem que tem o coração no lugar do pênis, que se ao menos bombasse feito um, tava bom. Anda, vem cá, me chama de… de… La…rissa? Clarissa, Clara…? Lara… Lara! É isso! Não é esse o nome dela?

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nov 22

CAPÍTULO 05

por Maria Rachel Oliveira

Débora devia ser ele. Lara deve ser como Débora. Mas que raio de mundo é este onde as mulheres traem sem dó e os homens brocham porque queriam fazer amor selvagemente e não trepar alucinadamente? E, enquanto se fazia trinta e duas perguntas diferentes concluía que o amor jamais podia ser selvagem. Isso doía.

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set 1

CAPÍTULO 03

por Gabriela Ventura

Estado de choque, francamente. Só aquele jaburu da tia do Raul para sair espalhando que eu não compareci ao velório porque estava desfalecida, de cama, sem forças para respirar. M-o-r-r-e-n-d-o-d-e-a-m-o-r. Dona Maria é do tipo que lê Julias, Sabrinas e Biancas e eu, mesmo que estivesse de luto cerrado, seria incapaz de fornecer matéria-prima para literatura de banca de jornal. A velha que vá caçar lágrimas fáceis em outra freguesia, porque a donzela contrita aqui passou a manhã limpando a sujeirada que Morrissey – o adorável Pastor Alemão do defunto – fez no quintal.

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jul 5

CAPÍTULO 04

por Douglas Miguel

O telefone chama por duas vezes.

A mesma doce voz de sono, de quem dorme cedo porque tem faculdade no outro dia e nunca estica uma noitada.

 

- Alô… Gustavo… o quê? Porque tá me ligando essa hora?

- Oi Lara… como vai? Desculpe te ligar essa hora… quanto tempo né… como você tá… sabe o que é… – gagueja, ela sente sem nenhuma dificuldade que ele está bêbado – …eu não consigo parar de pensar… eu, tô com saudade Lara… eu…

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jun 18

CAPÍTULO 02

por Felipe Oliveira (Grilo)

Raul corre vestido com aquele terno que Jussara, sua esposa, sempre lhe dizia: “vai usar uma vez na vida, outra na morte”. Chique e descolado, o cadáver tenta manter a finura enquanto desembesta ladeira abaixo.

 

As pessoas costumam ver um filme à hora da morte, mas Raul só poderia começar pelos créditos. Será que agora sua arte valeria milhões? Será que se tornaria o único imortal realmente “imortal” da Academia Brasileira de Letras?

 

Não é sem antes exclamar um “CHUPA, PAULO COELHO!” que interrompe suas idéias por um súbito desconforto ao “respirar”.

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