frankenstoria
fev 15

CAPÍTULO 03

por Igor André

Um hiato indefinido de tempo entre Clara desligar o telefone e a enfermeira voltar a bater em sua porta. As poucas horas que separaram a ligação do encontro estenderam-se em um lapso de proposições até a porta do quarto ser aberta: Fernanda estava ali!

Clara sentiu o sufocar de um mundo sobre seu peito. A mulher a sua frente tinha o semblante mais maduro do que ela se lembrava – mais soturno, talvez. Olhos fundos. Fernanda mantinha a força que apenas as mulheres que foram traídas conseguem manter diante de suas rivais… mesmo assim, as lágrimas dissolveram a maquiagem a ponto de arruinar a tentativa de manter-se altiva.

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ago 30

CAPÍTULO 02

por Guilherme Tensol

 

Então as mãos no volante, lá fora escuridão – bastou uma ligação. Trocou de marcha e acelerou mais: Um toque. Uma verdade dolorosa. Já passava das 3 da manhã. Bala de café e saudade lancinante embotada nos olhos… e a Dutra continuava a acabar em água.

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mai 26

CAPÍTULO 01

por Roberta Simoni

 

Ele estava assistindo um filme de luta na tevê, sem nada melhor para fazer. Já era tarde e o sono começava a bater quando, de repente, seu celular tocou. Era ela… nem ele sabia, mas ainda tinha o número dela registrado na agenda do telefone, apesar de não receber nenhuma chamada sua há anos. Anos mesmo.

 

Ela arriscou ligar para o número dele, sem muitas expectativas. Imaginou que fosse uma das únicas pessoas que consegue manter o mesmo número durante tanto tempo. Por isso cedeu despreocupada ao seu impulso e ligou tarde da noite, acreditando que não daria em nada mesmo, mas com uma esperança tímida escondida no canto da alma.

 

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dez 16

CAPÍTULO FINAL

por Guilherme Tensol

Ele está vindo aqui.

 

Tic-tac, tic-tac… Estou sem chão, sem lugar, a merda do coração entalado na garganta – eu já não te chutei pra longe praga, porque ainda me incomoda? Some, desaparece, não preciso de coração agora não!

Tic-tac…

Matei uma barata na quina com o bico do scarpin (lembrei do colégio), troquei de roupa duas vezes, mudei o cinzeiro de lugar três – aliás, sei que parei mas um cigarro ia ser uma boa hein, esfreguei o chão de quatro pra ficar bem feito.

Sou ou não sou uma palhaça?
(de quatro por você, para você, como eu quero!)

…depois de tanto tempo! Tanta expectativa! Tantos joguinhos e tanto ódio e tanto tesão e tantas reviravoltas, tudo para isso, para agora! A proximidade do clímax por si só me inebria, meia taça de vinho e já tô leve como uma pluma – que delícia, vai me carregar no colo mais fácil, vai me segurar pela bunda, minhas coxas enroladas na cintura dele… AI! Pára ou vou gozar sozinha! Hahahahaha!…

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out 9

CAPÍTULO 05

por Marcelo Paradella

Engano meu. Nada ficou “tudo bem”. Durante as últimas duas semanas – telefonemas de consolo, explicações às autoridades, o maldito velório – meu corpo estava lá mas eu não. Você anda tão distraída…, Ãh?, Coitadinha… É a perda, é a perda. Perda, tsc. Não conseguia era tirar da cabeça aquela sua mensagem piscando enquanto eu corneava meu marido com ele mesmo – ou estava era corneando você? Enquanto a sogra e as crianças choravam na sala, várias vezes fugi para o quarto sob mil pretextos diferentes, Tristeza demais, vou retocar a maquiagem, Preciso mijar, Preciso dormir. Minha vontade era ligar o computador, olhar no histórico, ver o que você escreveu naquela maldita mensagem. Mas só ficava ali parada, olhando. Até alguém me chamar de longe ou bater na porta, e eu voltar para o mundo dos mortos.

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