frankenstoria
ago 30

CAPÍTULO 02

por Guilherme Tensol

 

Então as mãos no volante, lá fora escuridão – bastou uma ligação. Trocou de marcha e acelerou mais: Um toque. Uma verdade dolorosa. Já passava das 3 da manhã. Bala de café e saudade lancinante embotada nos olhos… e a Dutra continuava a acabar em água.

Leia o texto completo

mai 26

CAPÍTULO 01

por Roberta Simoni

 

Ele estava assistindo um filme de luta na tevê, sem nada melhor para fazer. Já era tarde e o sono começava a bater quando, de repente, seu celular tocou. Era ela… nem ele sabia, mas ainda tinha o número dela registrado na agenda do telefone, apesar de não receber nenhuma chamada sua há anos. Anos mesmo.

 

Ela arriscou ligar para o número dele, sem muitas expectativas. Imaginou que fosse uma das únicas pessoas que consegue manter o mesmo número durante tanto tempo. Por isso cedeu despreocupada ao seu impulso e ligou tarde da noite, acreditando que não daria em nada mesmo, mas com uma esperança tímida escondida no canto da alma.

 

Leia o texto completo

dez 16

CAPÍTULO FINAL

por Guilherme Tensol

Ele está vindo aqui.

 

Tic-tac, tic-tac… Estou sem chão, sem lugar, a merda do coração entalado na garganta – eu já não te chutei pra longe praga, porque ainda me incomoda? Some, desaparece, não preciso de coração agora não!

Tic-tac…

Matei uma barata na quina com o bico do scarpin (lembrei do colégio), troquei de roupa duas vezes, mudei o cinzeiro de lugar três – aliás, sei que parei mas um cigarro ia ser uma boa hein, esfreguei o chão de quatro pra ficar bem feito.

Sou ou não sou uma palhaça?
(de quatro por você, para você, como eu quero!)

…depois de tanto tempo! Tanta expectativa! Tantos joguinhos e tanto ódio e tanto tesão e tantas reviravoltas, tudo para isso, para agora! A proximidade do clímax por si só me inebria, meia taça de vinho e já tô leve como uma pluma – que delícia, vai me carregar no colo mais fácil, vai me segurar pela bunda, minhas coxas enroladas na cintura dele… AI! Pára ou vou gozar sozinha! Hahahahaha!…

Leia o texto completo

out 9

CAPÍTULO 05

por Marcelo Paradella

Engano meu. Nada ficou “tudo bem”. Durante as últimas duas semanas – telefonemas de consolo, explicações às autoridades, o maldito velório – meu corpo estava lá mas eu não. Você anda tão distraída…, Ãh?, Coitadinha… É a perda, é a perda. Perda, tsc. Não conseguia era tirar da cabeça aquela sua mensagem piscando enquanto eu corneava meu marido com ele mesmo – ou estava era corneando você? Enquanto a sogra e as crianças choravam na sala, várias vezes fugi para o quarto sob mil pretextos diferentes, Tristeza demais, vou retocar a maquiagem, Preciso mijar, Preciso dormir. Minha vontade era ligar o computador, olhar no histórico, ver o que você escreveu naquela maldita mensagem. Mas só ficava ali parada, olhando. Até alguém me chamar de longe ou bater na porta, e eu voltar para o mundo dos mortos.

Leia o texto completo

ago 25

CAPÍTULO 04

por Felipe Oliveira (Grilo)

“Entre no msn hoje à noite, às 22h. Ligue a webcam. Vou usar aquele espartilho que você me deu. Vai ser só esta vez. Estou morrendo de tesão. Sei que você também está.”

E-mail enviado com sucesso. Ainda estou decidida a fazer aquilo. Desta vez, sem dúvidas e sem hesitação. Nada pode me tirar da cabeça que vai ser melhor assim.

Enquanto o momento não chega, nenhuma resposta. Tento não pensar no assunto. Tento encontrar em mim os motivos para fazer isso. Você não entenderia. Você nunca entendeu. O medo sempre foi o argumento ao meu favor. E você sempre me cercou como se eu fosse uma fêmea no cio. Animais acuados não têm escolha, certo? Você pediu por isso. Tudo o que posso dizer é que vai ser melhor assim.

A janela se abre.

Leia o texto completo

« página anterior