- Capítulo 05 – por Maria Rachel Oliveira
CAPÍTULO 06
por Roberta Simoni
E foi também sem pensar que Débora respondeu:
- Uma trepadinha! Era só isso que eu queria… nem que fosse uma daquelas bem ordinárias, ainda mais depois de tanta vodka… mas é claro que eu tô pedindo muito, né Gustavo?
- Débora, sério… você tem uma boceta no lugar do coração. Só pode!
- Qualquer um acharia isso divino, mas não um homem que tem o coração no lugar do pênis, que se ao menos bombasse feito um, tava bom. Anda, vem cá, me chama de… de… La…rissa? Clarissa, Clara…? Lara… Lara! É isso! Não é esse o nome dela?
- Que papo é esse, Débora?
- Ah, Gú… corta essa! Sem hipocrisia… eu nunca me importei de você me chamar de Lara, gosto até… é quando você goza mais intenso. Você também não costumava se importar com o fato de eu ter namorado, agora vem com esse papo de jantar em casa e comer sobremesa na rua?
Gustavo não tinha noção de que chamava Débora de Lara enquanto transavam. A situação era mais grave do que imaginava. Pensar nela era uma coisa, chamar por ela enquanto transava com outra mulher era outra completamente diferente, e a outra mulher não se importar e até gostar disso era demais pra cabeça dele. Ele gostava do cheiro de sexo que ficava no quarto depois que Débora ia embora, mas era exatamente nessa hora que ele sentia mais falta da Lara, porque era quando se abraçavam e dormiam a noite toda agarrados, de conchinha. Débora mal se despedia, o que, até então, causava um alívio profundo em Gustavo. Mas não nesse dia, afinal, como bem descreveu Debóra, ele tinha um coração pulsando no lugar do pênis.
O que era doce se acabou. O que era duro, amoleceu. O que estava molhado, secou. Débora vestiu a calcinha e Gustavo ficou olhando para aquela bunda linda e… nada? Nenhuma reação, amiguinho? Nada! Ficou lá, parado, assistindo passivamente Débora partir, que não saiu sem antes se despedir dignamente e bater a porta com força, como toda mulher rejeitada:
- Você tem razão. Comer a sobremesa na rua cansa mesmo. Essas frutinhas andam me enjoando!
Enquanto voltava para casa, Débora pensava se não estava na hora de diversificar a sobremesa. Talvez conseguisse viver sem banana e passasse a gostar mais de manga. Os homens andam tão sensíveis que sexo sem enredo, talvez só com outra mulher.
Gustavo ficou lá ainda, na mesma posição, petrificado, não do jeito que gostaria, mas, enfim… sabia que ia sentir saudades de Débora e da bunda de Débora. Mas era com a projeção de Lara que ele andava transando mesmo… Débora era só um retro-projetor gostoso. Haveriam outras. Mas não outras Laras, disso ele tinha certeza.
Estava decidido: deixaria a barba crescer.

6/06/2011 às 01:22
Bela volta pra casa, Betildes! Parabéns!