- Capítulo 04 – por Douglas Miguel
- Capítulo 06 – por Roberta Simoni
CAPÍTULO 05
por Maria Rachel Oliveira
Débora devia ser ele. Lara deve ser como Débora. Mas que raio de mundo é este onde as mulheres traem sem dó e os homens brocham porque queriam fazer amor selvagemente e não trepar alucinadamente? E, enquanto se fazia trinta e duas perguntas diferentes concluía que o amor jamais podia ser selvagem. Isso doía.
Quanto mais a moça tentava distrai-lo, mais sua idiossincrasia mostrava os dentes e ele seguia, tecendo para si mesmo perguntas e comparações cada vez mais complexas. Passara a vida toda, até então, fingindo que era como os outros homens – praticamente sempre bem resolvido com relação às historias mal acabadas. Fingia ter esquecido Lara há tempos. Menos para si. Tinha agido by the book e aí uma meia dúzia de caipirinhas o tinham rebaixado para a categoria dos românticos de miolo mole em extinção – que deveriam ter um celular alcoolsensitive.
Mal sabia Débora, deitada em seu peito, que naquele momento Gustavo pensava em mudar de vida. Talvez, quem sabe, até arrumar um namorado, já que as mulheres andavam insensíveis demais. Em seguida mudou de idéia. Por mais que na teoria sentimental um homem parecesse ter mais chances de corresponder suas angústias – ou sofrer parecidas – homens vinham com um físico que não provocava bons arrepios nele. Não desejava o corpo masculino, o preenchimento. Não desejava corpos, simplesmente. Era pior. Queria amor. Queria Lara?
Sem pensar, perguntou:
- Débora, eu entendo que seu namorado não baste pra você. Juro que entendo. Mas, me diga, isso basta? Assim, não cansa ter que jantar em casa e comer a sobremesa na rua sempre?

22/11/2010 às 23:29
Eu não esperava menos da Rachel… ô mulé pra escrever bem!
Agora tô é doida pra saber o que a Débora respondeu pro Gustavo.