frankenstoria
ago 30

CAPÍTULO 02

por Guilherme Tensol

 

Então as mãos no volante, lá fora escuridão – bastou uma ligação. Trocou de marcha e acelerou mais: Um toque. Uma verdade dolorosa. Já passava das 3 da manhã. Bala de café e saudade lancinante embotada nos olhos… e a Dutra continuava a acabar em água.

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ago 5

Parte 01

 

O asfalto era antigo, mas apesar da idade não apresentava rachaduras. Era um ponto da cidade onde não passavam veículos de grande porte. Também não sofria um castigo severo do clima, algo incomum naquela região em que chovia bastante. Com exceção da cor que denunciava sua idade, aquele poderia ser considerado um terreno virgem.

 

E foi neste asfalto que surgiu um ponto de fogo que parecia não ser afetado pelo vento, que soprava com média intensidade naquele momento. Uma chama de poucos centímetros de altura era contida por uma espécie de tubo invisível, de cor escura, avermelhada. Em poucos segundos outra chama apareceu, depois outra, outra e mais outra. Cinco chamas perfeitamente iguais, como se fossem reflexos de um espelho.

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ago 3

Os ordinários

 

Tio da Sukita, 45

Sabe aquele tipo de gente que simplesmente não consegue cagar na casa dos outros? Comigo é ao contrário: já que vou cagar, que seja na casa dos outros! Desde criancinha. Minha mãe sempre dizia, não se caga onde se come…

 

Deve ser por isso que trepar pra mim é a mesma coisa: quanto mais alheia a mulher, melhor. Sou pós-pílula e pré-AIDS, todo mundo trepava com todo mundo, coleciono um bocado de anéis aqui comigo – anéis dos casamentos que traí e outros anéis que tracei, jóias que para os maridos eram sempre “não, por trás não!”. E outra, por que diabos a minha mulher sabe disso e faz vista grossa, ainda fica comigo? Será que o Nelsinho Rodrigues tava tão certo assim, toda mulher gosta mesmo é de apanhar é?

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