- Capítulo 01 – por Marcelo Paradella
- Capítulo 03 – por Gabriela Ventura
CAPÍTULO 02
por Felipe Oliveira (Grilo)
Raul corre vestido com aquele terno que Jussara, sua esposa, sempre lhe dizia: “vai usar uma vez na vida, outra na morte”. Chique e descolado, o cadáver tenta manter a finura enquanto desembesta ladeira abaixo.
As pessoas costumam ver um filme à hora da morte, mas Raul só poderia começar pelos créditos. Será que agora sua arte valeria milhões? Será que se tornaria o único imortal realmente “imortal” da Academia Brasileira de Letras?
Não é sem antes exclamar um “CHUPA, PAULO COELHO!” que interrompe suas idéias por um súbito desconforto ao “respirar”.
- Seu Raul, o que é esse teco de algodão no seu nariz? – É a dona do bar quem pergunta.
Retira as bolinhas brancas que lhe tampavam o nariz e ouvidos. Prefere não pensar o que tinham lhe enfiado na bunda.
- Mas você não tava morto?
- Acho que sim. Sei lá, Lurdinha. Não dá pra filosofar sobre a existência, sóbrio.
Depois de umas 14 latas de cerveja já não sabe de frauda, de amônia, de coisa nenhuma. Mal sabe do que havia morrido.
- Foi de tiro? – diz procurando novos buracos recheados de algodão.
- De tiro o quê?
- Que eu morri. Sempre achei que seria de tiro. Reagindo corajosamente a um assalto.
- Nada. Infarto. Dizem que você guinchou feito um porco e aí se estatelou no chão.
- Será que eu “voltei” porque ainda tenho coisa pra acertar?
- Que bom que você acha isso. Que tal começar pelos fiados?
Uma das vantagens de estar “morto” é não pagar contas. É o que diz à Lurde, antes de ir embora cambaleando, meio sujo, resmungando sozinho.
Raul é um desses que só pensam no propósito da vida depois de bêbado e morto. Apesar da estratégia furada de arrancar dinheiro dele, a parte de estar em débito com o mundo faz sentido. Precisa saber onde tinha errado na vida.
Mas isso é assunto para algum próximo capítulo.

18/06/2010 às 23:24
hahahahahaha! Isso tá ficando cada vez melhor! Boa, muito boa Grilo! Tô me animando muito a meter o bedelho nisso hein! hahahaha Coitado do seu Raul!
6/07/2010 às 19:30
Douglas me convidou a continuar a saga do morto – que estou achando divertidíssima. Aproveito para perguntar se os senhores não acharam que está muito mal contada esta história da viúva contrita que não aguentou com a emoção e faltou ao velório?
Em tempo: vamos torcer para que minha colher não desande o caldo.
7/07/2010 às 13:38
Posso dar minha opinião?
Acho que dá pra aproveitar isso como gancho! =)
Abs!
7/07/2010 às 14:38
Pois é, Gabi Gabriela… Acho que, sem querer, já deu a deixa de para onde essa estória precisa trilhar!
besos,
G
7/07/2010 às 14:44
Bom,
1) estado de choque é estado de choque. pessoa pode tá catatônica.
2) em nenhum momento citei q a Jussara era a mulher. Poderia ser irmã.
3) Como já disseram, ói o gancho aí, ó!
7/07/2010 às 15:06
Paradella, você não citou, mas o Grilo faz isso no primeiro parágrafo do capítulo 2: “Raul corre vestido com aquele terno que Jussara, sua esposa, (…)”.
7/07/2010 às 15:15
É, molecada,
a tal Jussara -possível irmã que virou esposa – tá mesmo em casa. Mas eu tenho leves desconfianças de que esta catatonia é intriga da oposição. Mas isso eu conto pra vocês dentro em breve.
8/07/2010 às 14:02
Isso vai dar pano pra manga e deixou foi gancho pro próximo capítulo. E eu tô adorando!
1/09/2010 às 01:04
[...] Os capítulos um e dois você lê aqui e aqui. [...]