frankenstoria
jul 11

CAPÍTULO 02

por Douglas Miguel

O quarto do sobrado da rua Martins antes fúnebre agora tem noites e noites de vida, luz acesa madrugada adentro e o som da vitrola que não cessa.

 

Sr. Hilton sentado na sua poltrona, vestindo seu melhor terno, o charuto no canto esquerdo da boca. Embriagado pela doce voz, inebriado pelo perfume. Comprara todos os discos da Madame.

 

Como todo vício que se preze, surgiu a necessidade de doses cada vez maiores para satisfação completa. As noites se tornaram dias, as semanas, meses…

 

 

O velho homem tinha apenas o dinheiro do seu tio moribundo, dono da tradicional fábrica de sapatos da cidade. Nunca precisou trabalhar, protegido por sua deficiência. Mas a vergonha o transformara num isolado e rabugento, pra então amargar nunca ter uma mulher em seus braços. Mas agora tudo mudou…

 

- Ô madame, jamais me abandone. Eu te amo… – levanta-se e põe-se a dançar solitário no meio da sala, como se a dama realmente estivesse ali em seus braços, exalando seu perfume pertubador.

 

 

É um dia nublado de agosto. Minutos após o nascer do sol, à porta do velho cego ouve-se um barulho crescente nas escadas, dois homens de branco se aproximam. Batem. Arrombam. O Sr. Hilton está em pé dançando e delirando sobre o tapete, o cheiro de conhaque toma conta do ambiente, sujeira por todo o lado. Ele é derrubado, sedado e levado dali.




1 comentário

  1. Léo Freitas comentou:

    nossa!
    muito bom!
    onde estará nicanor??

    kkkk

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