- Cápitulo 01 – por Léo Freitas
CAPÍTULO 02
por Douglas Miguel
O quarto do sobrado da rua Martins antes fúnebre agora tem noites e noites de vida, luz acesa madrugada adentro e o som da vitrola que não cessa.
Sr. Hilton sentado na sua poltrona, vestindo seu melhor terno, o charuto no canto esquerdo da boca. Embriagado pela doce voz, inebriado pelo perfume. Comprara todos os discos da Madame.
Como todo vício que se preze, surgiu a necessidade de doses cada vez maiores para satisfação completa. As noites se tornaram dias, as semanas, meses…
…
O velho homem tinha apenas o dinheiro do seu tio moribundo, dono da tradicional fábrica de sapatos da cidade. Nunca precisou trabalhar, protegido por sua deficiência. Mas a vergonha o transformara num isolado e rabugento, pra então amargar nunca ter uma mulher em seus braços. Mas agora tudo mudou…
- Ô madame, jamais me abandone. Eu te amo… – levanta-se e põe-se a dançar solitário no meio da sala, como se a dama realmente estivesse ali em seus braços, exalando seu perfume pertubador.
…
É um dia nublado de agosto. Minutos após o nascer do sol, à porta do velho cego ouve-se um barulho crescente nas escadas, dois homens de branco se aproximam. Batem. Arrombam. O Sr. Hilton está em pé dançando e delirando sobre o tapete, o cheiro de conhaque toma conta do ambiente, sujeira por todo o lado. Ele é derrubado, sedado e levado dali.

4/09/2009 às 16:43
nossa!
muito bom!
onde estará nicanor??
kkkk