Moça da praça, dos olhos morteiros, faróis verdes e curiosos, que olham tudo que alcançam. Aperta bem esses olhos quando quer mirar longe.
Tão fácil esses olhos virarem espelho! Escorre a lágrima na bochecha corada de blush. Moça só anda maquiada no rosto, mas o coração ela nem disfarça. Se não gosta afasta, se gosta, ”por favor, me abraça”.
Moça da praça, sorriso branco de dente bonito. Boca pequena e coração enorme! Tudo que pede moça ajuda, moça leva e traz. Moça gosta de despertar sensação boa em tudo que faz.
Moça viaja e conhece, mas ainda tem carrapicho grudado na barra da saia. Bate, bate, mas não sai. Deixa a moça meio contrariada. Aí, moça olha desconfiada se não sabe o que essa gente nova traz dentro do olhar. Moça não enxerga bem, mas lê as pessoas na alma. Acaba vendo mais até do que queriam mostrar. Pode saber: se moça ta quieta, ta lendo. E acham moça muito calada. É que moça cabreira é mineira, nasceu ali mesmo na praça. E não deixa todo mundo ir conhecendo sua risada.
Mas moça gosta tanto de alegria que fez seu cabelo amarelo pra iluminar mais. Moça mudou muito, não foi só o cabelo. Moça não tem mais medo. Moça é brava e determinada. Não aceita que segure quando ela quer marchar. Muita gente não sabia, achava que era só boazinha, porque moça sorri e faz sempre o favor. Por isso assusta os outros quando está de mal humor.
Moça quando quer, não sossega até que faz, pra tudo nessa vida. Já falaram até “mimada”, ela corrige: “decidida”! E agora, Deus, moça cismou de casar.
Moça senta no banquinho da praça e esquece da vida. Esquece de anotar o recado pra não esquecer de nada, e aí não lembra mais. Tem que por no lembrete, moça, tem que mandar o relógio despertar. Mas moça é esperta, corre atrás do tempo, não deixa nada passar.
Moça da praça tem é muito dom. Pinta pano, escreve texto, borda blusa, faz panqueca sem olhar na receita. Passa pintura, arruma cabelo, faz a unha sem errar, cria cartaz e logomarca, é boa pra negociar. Assim moça não tem medo de desemprego, porque sabe se virar.
Moça gosta de poesia, artesanato, incenso, música que faz viajar e tudo que é novidade. Moça é criativa e inventa muita moda. Gosta de praia às vezes, mas bonito mesmo é o frio de casaco marrom e cachecol rosa.
Moça não quer mais explodir à toa, muitas vezes prometeu. É assim que ela vai medir se a moça da praça “tão meiga – tão brava” cresceu. Enquanto não cresce, moça cuida da flor que ganhou do noivo e de tudo que passa aqui dentro. Porque sabe que primeiro é o pensamento de virtude, pro mundo depois desabrochar bonito pra todo mundo e para sempre.
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Adrielle Fernandes tem vinte e poucos anos, é publicitária, busca harmonia para sua vida e coloca amor em tudo que faz. Gosta muito de leite com toddy, novidades, aromas e arte.
