frankenstoria
jun 3

CAPÍTULO 01

por Léo Freitas

Um dia normal. Senhor Hilton entra no bar de sempre no mesmo horário. Abre a porta, percebe as vozes, os cheiros e sabe perfeitamente quem está lá. Com a mesma insatisfação de sempre ele respira mais forte e se senta no balcão. Traga calmamente sua bebida habitual.

 

Quando o velho conhaque desce pela garganta ele sente um cheiro que nunca sentira antes. Segue o perfume, ouve uma serena voz feminina a cantar uma melodia nova. Poderia ir até a dama para começar um diálogo, mas não o Senhor Hilton, como sempre muito tímido permanece sentado tomando seu velho conhaque.

 

Depois do segundo gole ele não escuta mais aquela voz sublime e tampouco sente o perfume inebriante, desiludido ele retorna para sua casa.

 

O homem não consegue dormir naquela noite. Pensa quem seria dona daqueles nobres dotes e não imagina a hora de sentir aquelas sensações novamente.

 

Na noite seguinte, calmamente o Senhor Hilton retira seu velho paletó do guarda-roupas e o veste, ajeita os cabelos brancos e coloca seu chapéu. Retorna ao botequim.

 

Na porta do bar, pára e pensa no que virá a acontecer, imagina as conseqüências. Entra,
abre a porta e sente os mesmos odores e vozes de sempre, se senta na mesma cadeira e pede seu velho amigo conhaque. Já no primeiro trago sente aquele perfume, seguido da mesma melodia que ouvira na noite passada. Ele traga o conhaque novamente e decidido pergunta ao garçom quem é aquela mulher, claro, pois o Senhor Hilton perdera a visão ainda jovem e não conseguiria enxergar a dama, tinha vergonha da sua deficiência, o que restava ao velho Senhor era perguntar ao garçom. Com um tom sereno o garçom explica ao velho Senhor:

 

– Na verdade não tem ninguém ali meu senhor, é apenas a velha vitrola do dono do bar tocando um velho disco de Madame Campbell, famosa por perfumar os seus discos…




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