(à Ani)
Eu quero a navalha e a carne.
Quero que elas se toquem com gentileza
para que eu sinta a frieza
do metal, pouco a pouco se perdendo no calor…
Quero que o encontro se dê como o beijo desejado,
que a anunciação cause mais ardor que o próprio ato…
Quero que a dor seja contínua,
que marque a carne profundamente,
que não se possa mais fechar a ferida.
Quero que o sangue escorra gota a gota,
que acaricie o fio do corte…
…como a vítima que detém seu algoz prometendo-lhe desejos
em troca de piedade.
Quero a navalha entranhada na carne
e que o convívio se dê como uma coreografia intensa,
com vozes sussurrantes para meu deleite.
Quero o pulsar de uma gravado na outra,
rasurando seus traços delicadamente
até que se perca a lembrança do que foram.
Quero que extraiam meu caldo – fruto da união febril,
derramo em suas bocas a insanidade que os consome.
Eu quero a navalha e a carne.
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Flora Conde é uma ipiranguista no auge dos seus vinte e tantos anos… Há quem diga que ela é meio assim menina, meio assim atrapalhada, que some de vez em quando… Mas ela acredita mesmo é que um corte de cabelo pode mudar a sua vida por completo e que o home da sua vida é o Chico Buarque. Escreve no { … }.
