frankenstoria
abr 28

- Oi!
- Oi, seja bem vindo!
- Obrigado… Como é bom te ver. Está bonita.
- Obrigada.

Tantas idas e vindas não permitiam nada além de superficialidades. Nada se cria, tudo se tranforma e todos os anos divididos haviam se transformado em nada.

- Diga, que bons ventos o trazem?
- Trabalho, apenas trabalho.
- Sei. Vamos andando.
- Vamos. Obrigado por me buscar.
- Imagina, sempre que precisar é só pedir.
- Descemos a rampa?
- Não, vim de carro. Não reclame!
- Ai, posso dirigir?
- Não!

E se tem coisas que não mudam, basta um minuto para que se lembre daqueles detalhes que adormecem, mas não se esquece. Pequenas notas que nos irritam e apaixonam diariamente.

- Você não reservou hotel, né?
- Ai, esqueci!
- Já imaginava… Reservei para você, ali pertinho do centro.
- Hummm… Na sua casa não tem lugar?
- Tem sim, mas como você gosta de espaço…

E ali ela já estava se sentindo velha demais para aquela coisa toda. Queria mesmo era deixá-lo no tal hotel e ir para casa. Queria mesmo era entender porque estava ali, porque gastou gasolina para busca-lo. Porque gastou energia escolhendo uma roupa bonita. Energia é uma coisa muito boa para se gastar inutilmente.

- É verdade, gosto mesmo.

Ele sabia que não tinha nada para fazer na cidade, ele sabia que ela não ia baixar a guarda, ele sabia que era um jogo de roleta. Ou talvez não. Ele queria mesmo era estar ali, e sabia que por mais dura que ela tenha ficado com o passar dos anos, existia um detalhe que a diferenciava de todas as outras mulheres. E esse detalhe ficava mais evidente a cada palavra.

- Som?
- Sim… Mas baixinho, vamos conversar.
- Conversar? Quanto tempo que não converso com você.
- É, e eu sinto falta disso.
- Pois é… Mas eu nem quero conversar. Vamos ouvir música.
- Você não muda mesmo
- Xiiiii… sem esse papinho, quero ouvir a música!

Longo caminho para o tal hotel, parece que tudo ia em marcha lenta para irritá-la ainda mais. Ela não podia esconder que estava feliz em vê-lo, mas queria mais do que tudo poder.

- Chegamos!
- Chegamos!
- Precisa de mais alguma coisa?
- Não, nada.
- Ok… Fique bem.
- Obrigado mais uma vez.
- Imagina.

Imagina, imagina, imagina… Se é a mais irritante das conjunções. Ele fecha o porta malas. Ela liga o carro. Ele entra no hotel. Ela vira a esquina. Ele paga a taxa de no-show. Ela vai ao supermercado. Ele chama um táxi. Ela chega em casa. Ele pega o último vôo.

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Flora Conde é uma ipiranguista no auge dos seus vinte e tantos anos… Há quem diga que ela é meio assim menina, meio assim atrapalhada, que some de vez em quando… Mas ela acredita mesmo é que um corte de cabelo pode mudar a sua vida por completo e que o home da sua vida é o Chico Buarque. Escreve no { … }.




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